quarta-feira, 19 de novembro de 2008

o espinhos da minha rosa

Júlia...
Júlia era casada há 25 anos quando decidiu fugir de casa levando consigo a filha de
16 anos. Tinha nessa altura 47 anos. Tinha dois filhos, que conheciam e sofriam
com a violência de que a mãe era vítima. Sempre em nome dos filhos, tentava
esconder a situação. Os familiares também sabiam, mas perante eles, Júlia
perdoava sempre o marido. Não tinha forças para sair da situação. A solidão
atormentava-a. Baralhada não sabia de quem era a culpa, mas por mais que
pensasse, acabava sempre culpando-se a si própria. As colegas no trabalho foram
sabendo e foi junto delas que encontrou ajuda e encaminhamento para uma
associação, que a apoiou na sua fuga. A decisão de fugir, é tomada, não em função
dos maus tratos a que até parecia já se ter acostumado, mas sim porque o marido
tentou violar a filha de 16 anos. Foi a gota de água. A preparação da fuga foi
terrível. O medo, o pavor de que ele descobrisse. Fugiu para outra terra, não
dizendo a ninguém, nem ao filho mais velho. Mágoa que aliás carregou durante
toda a sua ausência. Júlia era funcionária pública e foi possível fazer uma
transferência para não perder o emprego. Mas aqui surgiu o primeiro obstáculo.
Fazer a transferência sem publicação no Diário da República para que o marido não
a encontrasse. Muito difícil ultrapassar as burocracias que não entendem os
problemas humanos. O marido procurou-a por todo o lado, chegando a publicar
anúncios com fotografia nos jornais dando-a como desaparecida. Enquanto
esperava pelo decorrer do processo em Tribunal foram muitos os altos e baixos.
Longe da família, longe da associação que a tinha apoiado, sentindo a revolta da
filha por ter alterado a sua vida em plena adolescência, foram tempos difíceis de
suportar.
Hoje está divorciada, mas a queixa crime ainda não está resolvida.