quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Maria tem 35 anos, é casadaoUm caso preocupante com Manuel, 33 anos, de quem tem 4 filhos: Ricardo, 15 anos, Mara, 12 anos, Maria deu entrada nas urgências dooCamila, 8 anos, e o Pedro de 2 anos. hospital distrital de Aveiro, devido a violentas agressões por parte do marido, Manuel éoapresentando diversas escoriações, ou seja, diversas agressões. toxicodependente e suspeita-se que possa ser portador de SIDA, desconhecendo-se Maria já deu entrada várias vezes nasose Maria e os filhos também o são. urgências por tentativas de suicídio e chegou a estar 15 dias internada devido a O filho mais novo, de 2 anos, não está registado nao problemas psiquiátricos. Conservatória e nunca foi ao Centro de Saúde.
Maria está desempregada. OoUm caso preocupante marido é pedreiro, mas só trabalha quando quer, obrigando Maria a pedir dinheiro à família e vizinhos. No entanto, Manuel impede Maria de se dirigir aos serviços Maria tem 2 irmãos que vivemode Segurança Social, ou outros, para obter apoio. perto, mas cortaram relações com ela devido ao comportamento de Manuel. Esta De momento, Maria encontra-se numaonunca apresentou queixa - crime. instituição em Oliveira do Bairro e o seu marido está a fazer uma desintoxicação. Este encontra-se num estado grave e preocupante. Esta família dificilmente voltará a ser feliz, pois esta vida encarregou-se de a afectar negativamente. Os seus filhos, já adolescentes, estão hoje a sofrer consequências psicológicas devido aos comportamentos a que assistiram na nossa O Pedro com 4 anos foi entregue a uma família de acolhimento que lheoinfância. deu todo o amor e carinho que precisava. Este mantém o contacto com os seus irmãos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sou um corpo que deambula ao acaso,
Que vive com medo todo o dia.
Amostra de ser mal amado
Sem conhecer felicidade e alegria.

Uma mulher constantemente criticada
Que chora apenas escondida,
Consciente que não vale nada,
E a imagem totalmente denegrida.

Escondo os hematomas como sei.
Habituei-me há muito a mentir...
Vivo uma vida como nunca pensei,
Com a maior parte do tempo a fingir.

Esta mão, assim queimada, e a doer,
É porque sou tão distraída...
Meti-a numa panela a ferver
E fiquei tão arrependida.

Tapo as nódoas negras com roupa
De Inverno, mesmo no Verão.
Apenas porque sou meia louca
Passo a vida a cair ao chão.

A boca, assim cortada,
Foi apenas porque sorri...
Não sei estar calada...
Apanhei porque mereci.

Quando parti o braço direito,
Foi porque me maquilhei nesse dia.
Mas afinal, foi bem feito,
Porque parecia uma vadia.

O meu corpo está tão cansado
Não aprendo a me comportar
Para viver bem com meu amado,
Que tudo faz por me amar.

Farta dos meus erros e maldade
Subo até ao vigésimo andar!
Salto, enfim, para a liberdade,
E já sou feliz... a voar!


(Vera Sousa Silva)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

o espinhos da minha rosa

Júlia...
Júlia era casada há 25 anos quando decidiu fugir de casa levando consigo a filha de
16 anos. Tinha nessa altura 47 anos. Tinha dois filhos, que conheciam e sofriam
com a violência de que a mãe era vítima. Sempre em nome dos filhos, tentava
esconder a situação. Os familiares também sabiam, mas perante eles, Júlia
perdoava sempre o marido. Não tinha forças para sair da situação. A solidão
atormentava-a. Baralhada não sabia de quem era a culpa, mas por mais que
pensasse, acabava sempre culpando-se a si própria. As colegas no trabalho foram
sabendo e foi junto delas que encontrou ajuda e encaminhamento para uma
associação, que a apoiou na sua fuga. A decisão de fugir, é tomada, não em função
dos maus tratos a que até parecia já se ter acostumado, mas sim porque o marido
tentou violar a filha de 16 anos. Foi a gota de água. A preparação da fuga foi
terrível. O medo, o pavor de que ele descobrisse. Fugiu para outra terra, não
dizendo a ninguém, nem ao filho mais velho. Mágoa que aliás carregou durante
toda a sua ausência. Júlia era funcionária pública e foi possível fazer uma
transferência para não perder o emprego. Mas aqui surgiu o primeiro obstáculo.
Fazer a transferência sem publicação no Diário da República para que o marido não
a encontrasse. Muito difícil ultrapassar as burocracias que não entendem os
problemas humanos. O marido procurou-a por todo o lado, chegando a publicar
anúncios com fotografia nos jornais dando-a como desaparecida. Enquanto
esperava pelo decorrer do processo em Tribunal foram muitos os altos e baixos.
Longe da família, longe da associação que a tinha apoiado, sentindo a revolta da
filha por ter alterado a sua vida em plena adolescência, foram tempos difíceis de
suportar.
Hoje está divorciada, mas a queixa crime ainda não está resolvida.